Este guia explica o que o médico observa na teleconsulta, os cuidados em casa e os sinais que exigem atenção imediata.
Vírus ou bactéria?
A maior parte das dores de garganta, chamadas de faringites, é causada por vírus, os mesmos do resfriado e da gripe. Nesses casos, a dor costuma vir junto com coriza, tosse, rouquidão ou espirros, e o antibiótico não ajuda.
Uma parcela menor é causada por bactérias, principalmente o estreptococo. Esse tipo é mais comum em crianças e adolescentes e costuma se apresentar com:
- febre, muitas vezes alta;
- dor forte para engolir;
- amígdalas inchadas, às vezes com placas ou pontos brancos;
- ínguas doloridas no pescoço;
- ausência de tosse e coriza.
Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma a causa. O médico combina as informações para decidir se o tratamento com antibiótico é indicado ou se vale fazer um teste rápido.
O que o médico avalia por vídeo
Na teleconsulta, o médico pergunta sobre o início dos sintomas, a febre, a tosse, o contato com pessoas doentes e os remédios em uso. Depois, pede que você mostre a garganta para a câmera.
Para isso, posicione-se de frente para uma janela ou use a lanterna de outro celular, abra bem a boca e coloque a língua para fora, dizendo “ahh”. Uma colher limpa pode ajudar a abaixar a língua. O médico também pode pedir que você apalpe o pescoço e diga se há ínguas doloridas.
Tem um termômetro? Meça a temperatura antes da consulta. A febre é uma das informações mais importantes para o médico decidir a conduta.
Cuidados em casa
Enquanto o quadro melhora, algumas medidas ajudam a aliviar a dor:
- beba bastante líquido, de preferência morno ou frio, conforme o que for mais confortável;
- prefira alimentos pastosos e evite comidas muito ácidas ou picantes;
- faça repouso, principalmente se houver febre;
- gargarejo com água morna e sal pode aliviar o desconforto;
- use analgésicos e antitérmicos somente conforme orientação médica, respeitando doses e alergias.
Evite pastilhas e sprays por conta própria em crianças pequenas e não use antibiótico que sobrou de outro tratamento.
Sinais de alerta
Procure atendimento presencial ou de emergência se você perceber:
- dificuldade para respirar ou respiração ruidosa;
- dificuldade para engolir a própria saliva, com baba escorrendo;
- dificuldade para abrir a boca ou voz abafada, como se falasse com uma batata quente na boca;
- inchaço importante de um lado do pescoço ou da garganta;
- febre alta que não cede ou piora depois de alguns dias;
- manchas roxas na pele ou rigidez no pescoço.
Esses sinais podem indicar complicações, como abscesso na região da garganta, que precisam de avaliação imediata.
Quanto tempo dura
A dor de garganta viral costuma melhorar em três a sete dias. Quando o tratamento com antibiótico é indicado, a melhora da febre e da dor costuma aparecer em um a três dias. Mesmo melhorando, siga o tratamento pelo período completo indicado pelo médico.
Se a dor persistir por mais de uma semana, voltar com frequência ou vier acompanhada de perda de peso, rouquidão persistente ou caroços no pescoço, procure uma avaliação mais detalhada.
Afastamento do trabalho
A dor de garganta com febre, mal-estar ou suspeita de infecção bacteriana pode justificar afastamento. Ele protege você e evita a transmissão para colegas, principalmente em quem trabalha com público, em escolas ou em serviços de saúde. Na teleconsulta, o médico avalia a necessidade e, se for o caso, emite o atestado na hora.
Para entender as regras do atestado no trabalho, veja o guia atestado para o trabalho. Se os sintomas forem de gripe, leia também gripe, resfriado ou covid.
Conteúdo informativo, revisado pela direção técnica médica. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Em emergências, ligue 192 (SAMU).